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terça-feira, 3 de julho de 2012

Apenas Raquel


Trago nas costas arqueadas
dum passado atordoado
a chama acesa da vontade
de vencer, de viver, de ser
... sempre querendo ver
mais do que meus olhos
podem humanamente enxergar
e este é meu fado
ser exageradamente humana,
mas recuso a fraqueza
que insiste em me marcar a ferro e fogo.
Sou todos os elementos que quero
e posso não os ser,
porque a minha alma está para além
do meu pequeno e frágil corpo...
Não sou pessoa,
sou um irrequieto pensamento
que nunca dorme...
Sou os quatro ventos que me consomem
e a brisa que me refresca,
mas sou sempre eu
(dentro ou fora de mim)



RaquelCasteloBrum, 3ºdia de julho, 2012

sexta-feira, 29 de junho de 2012

DIVA DOS TEMPOS MODERNOS

Sou um anjo
de asas avariadas,
tempos modernos da paixão,
caí no desprezo do duro chão,
vinho amargo e sem pão...
Sou silhueta da tua imaginação
sou o sim e o não
o tudo e o nada
sou apenas alguém
decadência das divas
chapéus amarelados
mas é esse mofo que mantém viva
a tua memória de homem amado



RaquelCasteloBrum, 29ºdia de Junho, 2012

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Este percurso com que eu te cego

És
uma vez
duas
três
nas demais
ensinaram-me
a movimentar
o corpo
a abrir as pernas
com a mente aberta
meu movimento certo
repara que eu sei dançar
mas não sou a tua dança
se tivesses pénis nos olhos
de há muito que eu
padeceria das chagas
daquelas a quem tudo pagas
Deus é grande
fez- mulher
tenho olhos para não te ver
discernimento para não te enxergar
nem penses em voltar!
és
uma vez
duas
três
com as outras
ou até mais
em monólogos sexuais



 Fala Sério, né?



RaquelCasteloBrum

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Apetecia-me...

Hoje apetecia-me descansar este pesado cérebro que meu corpo se vê fadado a carregar, próximo a borda duma piscina despretensiosa, com aquela meia luz aquecendo-me os nervos e um copo bem sugestivo e suculento de alguma bebida deliciosamente alcoólica de abacaxi. Também gostava que os meus problemas tivessem um pouco de amor próprio, fizessem suas malas e me deixassem em paz... Ah, não, eu não estou delirando, estou só vislumbrando o paraíso que deve ser não ter que fazer absolutamente nada e desfrutar despudoradamente, sem culpa nem tédio deste ócio de aproveitar a natureza modificada in situ... Mas, mamãe insiste em descarregar suas frustrações em mim e diz que eu tenho que DAR CERTO na vida, se é que não há uma maldadezinha nisso.. Bem, a verdade é que mamãe não aguenta mais me ver pensando na vida, mas se ela soubesse o quanto pensar me fadiga.... Eu quero mesmo é não ter mais que pensar tanto...




Fala sério, né?






RaquelCasteloBrum

Um Dia Fui Menina

Jamais pagarás
a vida que me roubaste
mas a minha raiva
não é consequência
de contigo haver vivido
a minha raiva é latência fúnebre
de na tua cama ter morrido

RaquelCasteloBrum